NORMA-PADRÃO, NORMA GRAMATICAL E NORMA CULTA NO BRASIL

CONVERGÊNCIAS, DIVERGÊNCIAS E IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DA ESCRITA

Autores

  • Gilson Costa Freire Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

DOI:

https://doi.org/10.47456/cl.v14i29.32219

Palavras-chave:

Variação, Normas, Escrita, Ensino

Resumo

Considerando a orientação da BNCC (BRASIL, 2017) de levar ao conhecimento do aluno a norma-padrão, este artigo visa discutir os limites propostos por Faraco (2008) entre norma-padrão, norma gramatical e norma culta, evidenciando convergências e divergências, como contribuição para a abordagem das práticas de escrita da sociedade letrada no eixo da Análise Linguística, previsto nas orientações nacionais para a disciplina de Português. Este estudo ancora-se em pressupostos da Sociolinguística Variacionista (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006) e suas contribuições ao ensino (VIEIRA; FREIRE, 2014), como o contínuo de oralidade-letramento de Bortoni-Ricardo (2004) associado ao de gêneros textuais de Marcuschi (2010). Para observar a norma gramatical, examinam-se tópicos de morfossintaxe em gramáticas normativas de referência; para evidenciar a norma culta escrita, aduzem-se resultados de pesquisas sobre fenômenos morfossintáticos variáveis em textos jornalísticos. A análise das gramáticas demonstrou que elas não apresentam diferenças significativas perante a norma-padrão. Os resultados das pesquisas variacionistas revelaram que a norma culta escrita brasileira contém estruturas linguísticas conservadoras e inovadoras, porém com maior proximidade da norma-padrão nos textos situados no campo [+ escrito] do contínuo de modalidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, DF: MEC/CONSED/UNDIME, 2017.

CASTILHO, A. T. de. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010.

CORRÊA, M. L. G. Encontros entre prática de pesquisa e ensino: oralidade e letramento no ensino da escrita. Perspectiva, v. 28, n. 2, p. 625-648, jul./dez. 2010. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/rp/v28n02/v28n02a14.pdf. Acesso em: 03 out. 2020.

CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

DUARTE, M. E. L. Sujeitos de referência definida e arbitrária: aspectos conservadores e inovadores na fala e na escrita padrão. Linguística - Revista do Programa de Pós-graduação em Linguística, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1. p. 89-115, 2007.

FARACO, C. A. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.

FREIRE, G. C. Acusativo e dativo anafóricos de 3ª pessoa na escrita brasileira e lusitana. Revista da Abralin, v. 10, n. 1, p. 11-32, jan./jun. 2011.

MAGALHÃES, H. L. P. Análise sociofuncionalista da variação de concordância verbal em construções de voz passiva sintética em textos jornalísticos cearenses. 2018. 144 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) - Programa de Pós-graduação em Linguística, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2018.

MALLMANN, A. C. L. G.; GARCIA, J. C. V.; ESCOBAR, R. de C. P. S. In: VIEIRA, S. R.; LIMA, M. D. A. de O. (Orgs.). Variação, gêneros textuais e ensino de Português: da norma culta à norma padrão. Rio de Janeiro: Letras UFRJ, 2019.

MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2010 [2001].

NUNES, J. Direção de cliticização, objeto nulo e pronome tônico na posição de objeto em português brasileiro. In: KATO, M.; ROBERTS, I. (Orgs.). Português brasileiro: uma viagem diacrônica. Campinas: Ed. Unicamp, 1993, p. 207-220.

PAGOTTO, E. G. Norma e condescendência; ciência e pureza. Línguas e instrumentos linguísticos, Campinas, n. 2, p. 49-68, jul./dez. 1998.

PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. 4. ed. São Paulo: Ática, 2000.

ROCHA LIMA, C. H. da. Gramática normativa da língua portuguesa. 36. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998 [1972].

SARAIVA, L. M. S. A colocação dos pronomes átonos na escrita culta do domínio jornalístico e nos inquéritos do Projeto NURC: uma análise contrastiva. 2008. Dissertação. 108 f. (Mestrado em Estudos Linguísticos). Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos, Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.

VIEIRA, S. R.; FREIRE, G. C. Variação morfossintática e ensino de português. In: MARTINS, M. A.; VIEIRA, S. R.; TAVARES, M. A. (Orgs.). Ensino de português e Sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014. p. 81-114.

WEINREICH, U.; LABOV, W.; HERZOG, M. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. Trad. Marcos Bagno. Revisão técnica: Carlos Alberto Faraco. São Paulo: Parábola Editorial, 2006 [1968].

ZILLES, A. M.; FARACO, C. A. Considerações sobre o discurso reportado em corpus de língua oral. In: VANDRESEN, P. (Org.). Variação e mudança no português falado na região Sul. Pelotas: Educat, 2002. p. 15-46.

Downloads

Publicado

2020-12-30