A SALIÊNCIA COGNITIVA DO CAUSATIVO DA VOZ MÉDIA EM PORTUGUÊS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47456/cl.v14i29.32435

Palavras-chave:

Voz média, Saliência cognitiva, Causalidade, Ficar, Linguística Cognitiva

Resumo

As construções médias pertencem ao domínio do construto absoluto, ou seja, expressam uma concepção de evento autônomo, que representa o grau máximo de não-atribuição de causalidade (LIMA, 2009). Uma vez que a concepção de causalidade pode ser ativada em vários graus de saliência (LANGACKER, 1991) e que a construção média se codifica em português em variadas formas, cumpre verificar, como é objetivo deste trabalho, em que medida as construções médias se diferenciam quanto ao grau de saliência da causa. Para tanto, analisamos quali-quantitativamente, no corpus C-ORAL BRASIL I, as construções médias clíticas e não clíticas, a média perifrástica e a média facilitativa. As ocorrências foram categorizadas, entre outros fatores, quanto à expressão e à saliência cognitiva do Causativo, medida com base em fatores como: traço [+animado], exterioridade e visibilidade. Os resultados mostraram que o Causativo das construções médias clíticas e não-clíticas é predominantemente não-identificável ou inconcebível. Já na média perifrástica, o Causativo mais frequente é externo, abstrato e codificado no contexto. Tais dados apontam para uma certa especialização de emprego da média clítica e não-clítica para a expressão de eventos espontâneos e da média perifrástica para a expressão de eventos de emoção.

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Biografia do Autor

Maria Claudete Lima, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Doutora e mestra em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC); graduada em Letras – Português/Inglês pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). É professora do curso de Letras e do Mestrado Profissional em Letras da UFC. Realiza estágio pós-doutoral na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Publicado

2020-12-30